Quero afastar de mim todos os bichos ocultos que vocês colocaram nas minhas costas para assombrar os meus pensamentos. Quero mantê-los no devido lugar para dizer dentro da ínfima mente de cada um, o quanto não me importo e tenho pena de seus próximos passos nessa caminhada.
Não entendam isso como pequena vingança ou atitude estapafúrdia da minha parte ou um recado singelo com palavras diferentes para atacar vocês e brilhar ainda mais.
Preferi não ser direta, aberta e agressiva, pois me disseram “é desvio de rota”. Esperei o tempo passar e a noite agradável da brisa perfeita surgir para sentir a carranca desconfigurar e qualquer outra máscara cair para saber que novas fantasias só serão usadas no carnaval.
O triste é saber que outros de vocês existem aos milhares pelo caminho, porém, espero conseguir me recompor mais rápido das próximas vezes.
Assim fica o aviso, caso vocês pareçam, colado na porta de entrada ‘Obrigada pelas memórias, mas bem vindos não sejam!’, no trivial para que entendam. Yeah, yeah.
quarta-feira, setembro 22
domingo, setembro 12
Rugas
Ela é toda cristã, tem naquelas linhas de tempo, que se apelidam de rugas, a bela e a fera de sua vida, experiência e todo amor que escorre pelos cabelos brancos tingidos de loiro.
Naquele quarto de paredes rosa, elas ouviram e guardaram suas palavras de proteção, pedras no caminho e histórias sem fim. Porque era da sua voz que saia a força para não entregar seu coração.
E sua terceira geração sentada do outro lado, com o tremor das pálpebras, ouvindo o que nunca pensou que pudesse ouvir dela que esteve sempre distante no sul, no frio, no dezembro e janeiro.
Agora, esses olhos pseudomodernos guardaram aquele momento para sempre refletir e se perguntar qual caminho seguir?
Naquele quarto de paredes rosa, elas ouviram e guardaram suas palavras de proteção, pedras no caminho e histórias sem fim. Porque era da sua voz que saia a força para não entregar seu coração.
E sua terceira geração sentada do outro lado, com o tremor das pálpebras, ouvindo o que nunca pensou que pudesse ouvir dela que esteve sempre distante no sul, no frio, no dezembro e janeiro.
Agora, esses olhos pseudomodernos guardaram aquele momento para sempre refletir e se perguntar qual caminho seguir?
quinta-feira, setembro 2
Pátria Amada
Gostaria de escrever-te em versos
Mas talvez a solução fosse gritar a plenos pulmões
Mostrar para sociedade que podemos fazer revoluções por minuto
Não deixar tudo na inércia como está
Lembrar do passado,
Quando lutávamos por independências
- que por mais fracassadas que tenham sido –
Tentaram chegar a algum lugar!
Hoje, nos vemos amarrados por uma corda invisível que nos colocamos,
Sentamos a bunda no sofá e vemos tudo acontecer na tela da televisão
Sem fazer nada!
Porque o que queremos é futebol, carnaval e maré alta
Mulata gostosa, cerveja gelada e vida alheia
Salário gordo do serviço público
Mil e uma bolsas como desculpa para a pobreza eminente!
Vivemos no nosso Brasil
E nos esquecemos que existem pessoas nas periferias e submundos desse país
Que ainda sonham, porque não há imposto sobre isso
Querem comida, educação e arte
Saída para qualquer parte
E uma dignidade dentro dessa sociedade passiva
Que volta a assistir a corrupção consolidar seus pilares em concreto
Com sentimento de falsa indignação
Ou o velho clichê de deixar tudo como está,
Porque a solução não há!
A verdade é que isso são apenas palavras
Que irão passar por vossos olhos e ouvidos
Como brisa morna da tarde de verão
Sem o menor resultado
Se daqui e do agora o nada continuar a ser feito
Por isso além de amor, tenha consciência e tente mudar
Não apenas apague a luz e vá dormir.
Mas talvez a solução fosse gritar a plenos pulmões
Mostrar para sociedade que podemos fazer revoluções por minuto
Não deixar tudo na inércia como está
Lembrar do passado,
Quando lutávamos por independências
- que por mais fracassadas que tenham sido –
Tentaram chegar a algum lugar!
Hoje, nos vemos amarrados por uma corda invisível que nos colocamos,
Sentamos a bunda no sofá e vemos tudo acontecer na tela da televisão
Sem fazer nada!
Porque o que queremos é futebol, carnaval e maré alta
Mulata gostosa, cerveja gelada e vida alheia
Salário gordo do serviço público
Mil e uma bolsas como desculpa para a pobreza eminente!
Vivemos no nosso Brasil
E nos esquecemos que existem pessoas nas periferias e submundos desse país
Que ainda sonham, porque não há imposto sobre isso
Querem comida, educação e arte
Saída para qualquer parte
E uma dignidade dentro dessa sociedade passiva
Que volta a assistir a corrupção consolidar seus pilares em concreto
Com sentimento de falsa indignação
Ou o velho clichê de deixar tudo como está,
Porque a solução não há!
A verdade é que isso são apenas palavras
Que irão passar por vossos olhos e ouvidos
Como brisa morna da tarde de verão
Sem o menor resultado
Se daqui e do agora o nada continuar a ser feito
Por isso além de amor, tenha consciência e tente mudar
Não apenas apague a luz e vá dormir.
sábado, agosto 28
Breve
Eu prometo ser breve. Eu não vou tomar muito do seu tempo, que é um pouco precioso... Eu só queria dizer a você que, sim, eu senti saudades e reparei que você não veio me dar um abraço... O tempo passou e é como se realmente suas preocupações não fossem mais sentimentais, apenas materiais. E eu não gosto de pensar assim, afinal de contas nós temos um laço que nos mantêm unidos, porém com o passar do tempo ele vem se distanciando. Tanto eu como você temos culpa nesse problema mútuo. Você está deixando ir de acordo com a maré, cada vez mais longe e eu estou deixando escapar pelos dedos... Enfim, é isso.
segunda-feira, agosto 23
Trilha Sonora
Minhas pequenas personagens desapareceram então mandei meu narrador tirar férias para eu tentar lapidar as palavras de outra forma. A tarde é morna, não quero música alta, por isso o volume é mínimo e as unhas vermelhas estão se fazendo presentes a cada momento. As fotos que olham para mim congelam os mesmos sorrisos enquanto Bono me diz que perdeu algo, que me queria com ele para fazer certo e dar algumas voltas.
Essas voltas me tiram dos eixos. As coisas ao meu redor começam a passar como borrões coloridos, com atos vagos, cartas guardadas, emoções não vistas e convivência com pessoas e outros bichos. Uma voz no fundo vem me dizer para ter cuidado, pois há perigo na esquina...
Esquina da minha casa, da minha vida que irá me levar para algum lugar, trazer escolhas, monstros e paixões para me fazer abrir a porta e deixar tudo isso entrar e tentar permanecer para não mais voltar aqui no primeiro andar dessa rua central de quarto iluminado.
Fico me perguntando quando irei me sentir Nicky com um gato preto em baixo do casaco, ou se ficarei a espera de alguém me chamar de garota bonita para ficar com ele, ou se deixarei meninos escalarem as paredes, capturados por feitiços e falando minhas línguas.
Creio não ter o perfil de uma garota do verão como tanto canta Steven, prefiro ser baixinha com as mãos no bolso, livre e com alguns amigos a espera de primaveras fora de estações.
Por isso vou pensar com carinho quando me pedires para ver minha alma, vou catar moedas que encontrar pelo chão e no fim pedir ao que bate aqui dentro para não te amar mais que a mim.
Essas voltas me tiram dos eixos. As coisas ao meu redor começam a passar como borrões coloridos, com atos vagos, cartas guardadas, emoções não vistas e convivência com pessoas e outros bichos. Uma voz no fundo vem me dizer para ter cuidado, pois há perigo na esquina...
Esquina da minha casa, da minha vida que irá me levar para algum lugar, trazer escolhas, monstros e paixões para me fazer abrir a porta e deixar tudo isso entrar e tentar permanecer para não mais voltar aqui no primeiro andar dessa rua central de quarto iluminado.
Fico me perguntando quando irei me sentir Nicky com um gato preto em baixo do casaco, ou se ficarei a espera de alguém me chamar de garota bonita para ficar com ele, ou se deixarei meninos escalarem as paredes, capturados por feitiços e falando minhas línguas.
Creio não ter o perfil de uma garota do verão como tanto canta Steven, prefiro ser baixinha com as mãos no bolso, livre e com alguns amigos a espera de primaveras fora de estações.
Por isso vou pensar com carinho quando me pedires para ver minha alma, vou catar moedas que encontrar pelo chão e no fim pedir ao que bate aqui dentro para não te amar mais que a mim.
domingo, agosto 15
Sem final...
Essa semana me contaram que nem o amor sabemos o que realmente é... Decidi fugir para viver essas aventuras, encher o baú de memórias e cultivar a vida no eterno palco, para transformar cada anônimo em espectador. Mas antes de fazer as malas e comprar a passagem eu me perguntei quantas vezes já não havia fugido sem nada e muitas vezes sem mim.
Foram fugas em livros, fugas em furtos e fugas de casa, que me deixaram nua, à exposição do mundo e mudanças de ideia. Que me transformaram em algo que atrai pessoas, que pula de precipícios para sentir a adrenalina e faz tudo virar contos de fadas.
Foram fugas em livros, fugas em furtos e fugas de casa, que me deixaram nua, à exposição do mundo e mudanças de ideia. Que me transformaram em algo que atrai pessoas, que pula de precipícios para sentir a adrenalina e faz tudo virar contos de fadas.
quinta-feira, agosto 5
Posse
Ele resolvera voltar para o seu mundo, já estava cansado daquele cotidiano rápido e tecnológico, aonde as pessoas iam e vinham apressadas, esquecidas da subjetividade, com encontros noturnos intensos e de poucas horas de duração. Em que viam no álcool o caminho correto para sorrisos abertos, movimentos frenéticos e um suposto carisma, que com o tempo tornava-se insuportável.
Por trás dos óculos escuros, seus olhos vagavam pelas areias, céu, mar e chegavam onde ela estava guardada, segura e secreta de si mesma e dos outros que já tentaram roubá-la. Ele sabia de todo encanto que existia guardado naquela pele morena e não queria vê-lo solto por ai a mercê de outras mãos, carícias, desejos e olhares.
Ela era sua criação, sua maior obra-prima! Planejou cada detalhe inspirado no calor que saia dos poros e na vivacidade daquele olhar. À medida que delineava suas formas, encantava-se e queria para si, queria que fosse real, não um simples manuscrito. E aos seus olhos ele a viu sair do papel e com a mesma rapidez que foi criada, ela tornou-se independente. Aprendeu os passos e saiu do papel, para as ruas e calçadas a brincar e entregar-se a todos, menos a ele.
Não queria ser tocada por aquela figura, pois se assustava com seus gestos. Foi embora, perdeu-se, correu atrás do nada e foi encontrada por ele, que a levou de volta para as páginas, de onde nunca devia ter saído, assim dizia.
Lá dentro, toda rabiscada de tinta, a pele marcada por palavras, não viu seu dono fazer as malas e deixar os cômodos. Ficou na escuridão, entre as folhas, fraca e sem calor. Mal sabia que era assim que ele a queria, pois quando voltasse iria moldá-la de acordo com as suas linhas.
Por trás dos óculos escuros, seus olhos vagavam pelas areias, céu, mar e chegavam onde ela estava guardada, segura e secreta de si mesma e dos outros que já tentaram roubá-la. Ele sabia de todo encanto que existia guardado naquela pele morena e não queria vê-lo solto por ai a mercê de outras mãos, carícias, desejos e olhares.
Ela era sua criação, sua maior obra-prima! Planejou cada detalhe inspirado no calor que saia dos poros e na vivacidade daquele olhar. À medida que delineava suas formas, encantava-se e queria para si, queria que fosse real, não um simples manuscrito. E aos seus olhos ele a viu sair do papel e com a mesma rapidez que foi criada, ela tornou-se independente. Aprendeu os passos e saiu do papel, para as ruas e calçadas a brincar e entregar-se a todos, menos a ele.
Não queria ser tocada por aquela figura, pois se assustava com seus gestos. Foi embora, perdeu-se, correu atrás do nada e foi encontrada por ele, que a levou de volta para as páginas, de onde nunca devia ter saído, assim dizia.
Lá dentro, toda rabiscada de tinta, a pele marcada por palavras, não viu seu dono fazer as malas e deixar os cômodos. Ficou na escuridão, entre as folhas, fraca e sem calor. Mal sabia que era assim que ele a queria, pois quando voltasse iria moldá-la de acordo com as suas linhas.
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